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Dentre os meios auxiliares, usados pelas pessoas cegas, na sua formação cultural, e na falta de obras transcritas para o Sistema Braille, destacam-se o "livro falado" e a colaboração de pessoas que lêem para o portador de necessidades especiais do sentido da visão, pessoas genericamente conhecidas por "ledores".
A minha vivência de "ledor", para as ciências exatas" - Matemática, Física e Química - data de 1995.
Por isso, eu me aventurei a escrever estas modestas linhas. Talvez elas sejam úteis a você que, no aconchego de seu lar, de sua família, ou no interior de um estúdio de gravação, deseja colaborar para que um irmão cego possa estudar, melhorar o seu status, ser mais útil a ele próprio, à família e à sociedade em que vive. Para tantos benefícios, serão necessários, apenas, alguns minutos, algumas horas, umas tantas vezes, por semana, de seu lazer, de seu convívio familiar, de sua disponibilidade profissional.
Mas, não é suficiente se ter boa vontade, para ajudar... É preciso que certa técnica seja seguida, observada, para que a sua disponibilidade temporal seja a mais rentável possível.
Cada fita cassete se compõe de duas faces, que você poderá chamar de "lado", como venho fazendo, há sete anos.
No "lado a" da "fita número um" - expressões que você usará obrigatoriamente, para que o cego se situe e possa seguir, sozinho, ouvindo a gravação. Você deverá informar detalhes sobre a obra ser gravada, tais como: nome, autores, número da edição, entre outros: seu nome, como o(a) "ledor(a)"; e a citação "De acordo com a Lei No 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, esta gravação se destina, exclusivamente ao uso de pessoa(s) cega(s), não podendo ser comercializada". Essa citação resguarda os interesses da entidade que oferece o serviço (sempre gratuito) ao deficiente visual e os direitos do autor da obra. Como se diz (juridicamente) "a lei é sábia..."
Ao final desse lado a, você dirá: "final do lado a, continua no lado b da fita número um". Ao final do lado b você dirá: "final do lado b da fita número um; continua no lado a da fita número dois da obra..." Não se esqueça, em qualquer fase da gravação, de se situar, no início e no final, quanto ao "lado" e ao "número" da fita. Você não pode imaginar a emoção que sinto ao falar, pelo telefone, com pessoas que estudaram nas fitas que eu gravei, lá em Roraima; em Terezina, no Piauí; em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Do Rio de Janeiro, contato "face a face", não tem conta!
Evite pigarrear, tossir, manter respiração ofegante etc., porque são desagradáveis a quem houve. Se ocorrer, volte a fita, e regrave o texto. Procure ler pausadamente, sem ser monótono. Aquela voz sem qualquer inflexão, monotônica, dá sono ao ouvinte. Mostre vivacidade. Dê inflexão à pontuação.
Trabalhe para que sua instituição tenha uma audioteca, para atender, gratuitamente, à pessoa cega. Eu estarei à sua disposição na Sociedade Pró-Livro Espírita em Braille - SPLEB, para qualquer dúvida. Prove que, de fato, estamos ingressando no terceiro milênio da era cristã, trabalhando como voluntário(a) por uma causa que é tão nobre em favor de nossos irmãos desprovidos da visão física.
Joil Meneses Guimarães - 1º Secretário da SPLEB
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