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Em menos de seis meses, entidades como a Sociedade Pró-Livro Espírita em Braille - SPLEB; o Conselho Brasileiro para o Bem-Estar dos Cegos; e a Instituição Tear, por seu Projeto Audioteca Sal e Luz, tiveram reconhecimento de dois apelos sobre a disponibilização de livros transcritos para o Sistema Braille para jovens estudantes cegos.
O primeiro, partido de uma mãe de um rapaz aluno da primeira série do atual ensino médio, residentes em um estado do nordeste brasileiro. O segundo, mais recente, enviado por um jovem que cursa a oitava série do ensino fundamental, possivelmente residente no estado de São Paulo, ou na região sul do Brasil.
Nos dois apelos, o desejo louvável, de se disponibilizar livros didáticos, transcritos para aquele sistema em níveis de ensinos fundamental, médio e superior.
Mas, entre o ideal e o possível, grande é o caminho a ser percorrido...
De fato, durante o mês de julho de 2002, ao comemorar o sesquicentenário do passamento do grande benfeitor da pessoa cega, que foi Louis Braille (França, 4 de janeiro de 1809 a 6 de janeiro de 1852), o Conselho Brasileiro para o Bem-Estar dos Cegos teve oportunidade de ouvir a palavra da Senhora Secretária de Educação Especial do Ministério da Educação, Professora Marilene Ribeiro dos Santos, sobre as realizações de sua Secretaria, em favor da educação especial de pessoa cega, no Brasil.
Entre os óbices, entre as dificuldades apontadas, mencionou en passant, a dificuldade de obtenção de pessoas habilitadas, capazes de adaptar "obras em tinta", para transformá-las em "obras em Braille". De fato, a primeira, a "obra em tinta", é muito assentada em gravuras, quadros estatísticos, gráficos etc. grafismos, que, obviamente, carecem de uma adaptação inteligente, de uma descrição sucinta, pormenorizada, para que o leitor cego esteja apto a entender o que se deseja transmitir, veicular.
A simples impressão em Braille de disquetes, CDs, e de outras formas de informatização é, segundo o linguajar específico da lógica, condição necessária, mas não suficiente, para essa disponibilização de livros didáticos, transcritos para o Sistema Braille, no mercado livreiro no Brasil, como procuramos demonstrar neste documento.
Membros do Congresso Nacional buscam, com projetos de sua autoria, encontrar as fontes de receita para essa otimização. Mas... e a mão-de-obra especializada, capaz de bem adaptar "livros em tinta" e torná-los "livros em Braille", o mais fiéis possíveis a seus originais. Fica, aqui, o desafio a todos aqueles que buscam aquela otimização didática de livros escritos em Braille: buscar a formação, a curto e a médio prazos dessa mão-de-obra capaz dessa transcrição hábil. Enquanto isso não é alcançado, valhamo-nos das obras sonorizadas e da disponibilidade de nossos "ledores".
É o que nos cabia lembrar à coletividade brasileira de pessoas cegas.
Joil Meneses Guimarães - 1º Secretário da SPLEB
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